Faz alguns dias que escrevi um rascunho sobre estarmos apenas sobrevivendo e não vivendo plenamente. Daí me ocorreu a necessidade de contar aqui as coisas.
Vou trazer alguns pontos para entendermos melhor nosso cotidiano corrido nos leva a viver no piloto automático .
1. Vantagens e desvantagens
Muito pouco tempo para planejar o futuro, se aperfeiçoar e a cobrança em cima de que temos as mesmas 24 horas que todo mundo. Será?
Sei que não devemos nos comparar, mas um dia desses estava pensando nisso. Comparando a minha trajetória, que levei mais tempo para conquistar o que tenho hoje em relação a outras pessoas mais novas que eu.
A grande maioria das pessoas que convivo, conquistaram o que tenho hoje, com bem menos idade que eu. Enquanto eu tinha que correr atrás de algumas desvantagens, e posso ver com clareza como isso impacta em como vivo hoje.
Não estou reclamando, apenas comparando como algumas pessoas com um pouco mais de vantagem que você, conseguem chegar mais longe muito cedo. Enquanto outras pessoas precisam se desdobrar para conseguir o mínimo dessa vantagem.
2. Vida sem propósito
Com o passar do tempo, trabalhando em pequenas e grandes empresas, pude perceber que o propósito de vida não existe.
Calma, não estou dizendo que a sua ou a minha vida não faz sentido, mas que o propósito de vida que nos venderam a vida toda, não existe mais, não para a nossa geração (milenials).
Lembro que a geração anterior, a dos nossos pais, nos dizia que se estudarmos bastante, entrar e formar na faculdade, íamos ser recompensados com um trabalho que nos realizaria para o resto da vida.
Um bom emprego, casa própria, estabilidade e uma vida plena com um cachorro no quintal. Quem aí nunca ouviu a expressão: “estude, pois a enxada pesa mais que a caneta” ou “o trabalho dignifica o homem”.
Foi com frases assim que nos convenceram a nos matar de trabalhar para apenas sobreviver. Um salário que mal paga os aluguéis, a compra do mês e um lazer de streaming de R$49,90.
3. Qualidade de vida
É um luxo que cada vez mais está se tornando inacessível para as pessoas comuns. Ter tempo para um lazer de qualidade, ler um livro, investir em conhecimento ou simplesmente descansar não fazendo nada.
Tudo isso é necessário pra manter a máquina humana funcionando, mas a verdade é que cada vez mais está ficando impossível ter acesso a essa tal de qualidade de vida.
Comer bem, se exercitar, beber água, ler um livro/revista, ficar mais tempo fora das telas, consumir menos produtos descartáveis e por aí vai.
A medida em que nossa sociedade avançou tecnologicamente, nos tornamos pessoas mais ansiosas e menos produtivas. Nos distanciamos de coisas que eram comuns e passamos a viver no modo automático. Sem pensar. Viramos verdadeiros robôs que criam e controlam outros robôs.

4. Equilibrando os pratos
Chega um momento na nossa vida que precisamos equilibrar os pratos. E não, não temos as mesmas 24 horas que todos. Alguns precisam de mais tempo para fazer as mesmas coisas que outras pessoas.
Houve uma época em que eu estudava, ia à academia, trabalhava fora e lia diariamente. São algumas das coisas que eu fazia durante as minhas 24 horas.
Dormir e me alimentar bem não era bem uma delas. Como disse, precisava equilibrar os pratos para conseguir fazer tudo que era preciso.
Chegou um momento em que precisei fazer uma escolha: ou parava de tentar ser produtiva ou ficaria ainda mais doente.
Foi aí que tive de escolher parar de fazer grande parte das coisas que fazia. Saí da academia para conseguir dormir mais que 3 horas por dia, passei a me consultar com uma indócrino e uma nutri pra regularem meus hormônios e alimentação e ao concluir meus estudos, não iniciei mais cursos desde então.
Precisei abrir mão de muitas coisas pra conseguir me regular. Foi depois disso que entendi que nem todos têm as mesmas 24 horas. Não se você levanta 4:30 da manhã pra ir trabalhar, passa 5 horas no transporte diariamente, trabalha 9 horas todos os dias e só chega por volta das 21 horas em casa.
Por muito tempo eu consegui fazer tudo isso nesse tempo, mas não estava fazendo por prazer e nem com qualidade. Estava produzindo não sei o quê e nem pra quem.
5. Apenas sobrevivendo
Todos os dias saem estudos, pesquisas e matérias sobre os riscos de levarmos uma vida sedentária, com muito stress e má alimentação. Mas eu te pergunto: como a gente sai desse ciclo vicioso sendo que as opções que nos são dadas é ou você tem saúde o morre de fome ou você fica doente e tem o que comer?
Sei que é preciso achar um equilíbrio em meio a este caos que estamos vivendo. Mas a verdade é que, o ser humano médio não tem muitas opções para escolha. E muitas das vezes a gente precisa sacrificar a nossa saúde física e mental para conseguir recursos para pagar as contas e continuar sobrevivendo.
Esta é apenas uma reflexão da realidade que eu tenho presenciado diariamente. Pessoas conhecidas e desconhecidas têm se queixado do mesmo problema.
Por fim, deixo aqui um espaço em aberto para fazermos esta troca de experiências, frustrações e de soluções!








Leave a Review