Grafite no tapume da Praça da Liberdade em Belo Horizonte
Fotografia

Grafite: uma arte que eu não canso de fotografar

Com certeza você já deve ter topado com uma bela figura pintada numa parede em algum lugar da cidade onde você mora. Para seu conhecimento isso se chama grafite e ao contrário do que o senso comum afirma, grafite é arte sim.

No entanto, a desinformação contribuiu por anos de ignorância e desconhecimento sobre o assunto. Até hoje ainda vejo pessoas discutindo se a grafitagem é uma arte ou crime. Por isso, vou te explicar alguns conceitos básicos para você entender de uma vez por todas o que é o grafite.

O que é e onde surgiu o grafite

Por ser uma arte com berço nas ruas e periferias, o grafite ainda, em pleno 2020, é descriminado por ser considerado uma depredação do espaço e patrimônio público. O que é um grande erro.

O grafite nada mais é do que uma forma de expressão que utiliza muitas cores, desenhos e formas. Ela também mescla traços de outros movimentos artísticos modernistas como abstrata e cubista em trabalho de vários grafiteiros contemporâneos. Cada artista possui uma identidade única em seu traço, onde seu trabalho conta com as misturas de estilos, referências e de cores.

Sobre sua origem, segundo o site Brasil Escola, que eu amo e indico muito para pesquisas e estudos, “grafite é uma manifestação artística em espaços públicos”. Ainda de acordo com o site, sua origem se deu em meio a movimentos culturais na cidade de Nova Iorque. Apesar de existirem indícios de sua presença no império romano.

A arte da grafitagem nas paredes do Centro de Referência a Juventude em BH

A arte da grafitagem nas paredes do Centro de Referência a Juventude em BH A arte da grafitagem nas paredes do Centro de Referência a Juventude em BH

A arte da grafitagem nas paredes do Centro de Referência a Juventude em BH

Grafite X Pichação

Uma forma simples que posso tentar explicar porque o grafite é visto como uma depredação é o fato de muitas pessoas ainda o confundirem com a pichação.

A pichação, assim como o grafite, por muitos anos foi considerada um ato de vandalismo, de vadiagem e também de depreciação do patrimônio público. No entanto, esse caráter negativo, com o passar dos anos, vem tomando outra conotação e se mostrando uma arte tão expressiva e presente nos centros urbanos que sua má reputação está ganhando um novo olhar.

O que posso afirmar após observar grupos artísticos de BH é que, o que ofende e denigre um espaço não é o contorno do desenho em si, mas sim o desconhecimento por parte da população sobre a importância dessa arte para as nossas cidades.

Existem muitos grafiteiros que estão se apropriando do grafismo da pichação em seus desenhos e vice versa. Uma forma de complementar uma arte com a outra. Desta forma, é possível ver esta união de estilos em grafites que estão espalhados pelo bairro Eldorado aqui em Contagem, mostram justamente essa mescla desses estilos artísticos.

Pichação e grafitagem

Cidades coloridas e com personalidade própria

Não tem como negar que o grafite espalha cor e personalidade por onde ele é aplicado. Hoje em dia, graças ao esforço de muitos artistas e a colaboração por parte do poder público, conseguimos ver mais espaços públicos sendo revitalizados e resgatados da marginalidade do poder público através do grafite.

Cada vez mais autoridades têm reconhecido essa forma de expressão cultural e vem cedendo espaço para os grafiteiros mostrarem sua arte. Em Belo Horizonte é muito comum você se deparar com um canteiro de obra, onde os tapumes possuem aplicações em grafites.

Uma das minhas grafiteiras favoritas daqui é a Raquel Bolinho, dona dos famosos bolinhos lindos e deliciosos que estão espalhados por toda BH. As imagens a seguir foi de um registro que fiz da época em que a Praça da Liberdade estava em reforma. Aproveitei um dia de passeio pelo CCBB e fotografei os tapumes da obra.

grafite nos tapumes da praça da Liberdade em BH grafite nos tapumes da praça da Liberdade em BH grafite nos tapumes da praça da Liberdade em BH

Deveria ter um cuidado maior e ter fotografado os nomes dos grafiteiros. No entanto, se você reconhecer a obra de algum e souber o nome, por favor, deixe essa informação nos comentários. Isso é muito importante como reconhecimento e apoio aos artistas.

A relação do grafite com a nossa sociedade

Quando estava na faculdade de jornalismo, lembro de ter feito um trabalho sobre a pichação em Belo Horizonte. Esse trabalho rendeu uma série de entrevistas que fizemos com autoridades e artistas de rua. Desta forma, pude aprender muitas coisas sobre o grafite, os movimentos periféricos e a relação dessa arte com a nossa cidade.

Hoje temos movimentos em Contagem e Belo Horizonte, que propõe revitalizarem partes degradadas das cidades através do grafite.

Isso acontece, porque ouvi um grafiteiro dizer que, onde há um muro grafitado, ele não pode ser pichado. Se você é um artista poderá me confirmar.

Hoje a lei consegue distinguir o que é grafite e pichação de movimento artístico de um ato de vandalismo. Pintar ou pichar patrimônios públicos, históricos ou mesmo propriedades privadas sem a devida autorização é considerado crime.

Este é o limite que nossa sociedade tem estabelecido com os grafiteiros de rua, a fim de criar uma relação com esta arte que vem das ruas. Assim como existem pessoas que gostam e admiram o grafite e desejam ter seu espaço em muro ou tapume preenchido por um desenho, há quem não goste. E está tudo bem!

As cidades possuem espaços para acolher todos os tipos de gostos e ideias e por isso é preciso que cada um respeite os limites. Para que as cores e formas do grafite e a neutralidade do cimento e tijolos possam conviver em harmonia!

Carla Corrêa

Jornalista, mineira de Belo Horizonte, 33 anos e apaixonada por cravo, canela, café e chocolate. A mistura perfeita para uma vida perfeita e feliz. Nascida na era da internet, blogo desde 2008.

4 comentários

  1. Romeu Corrêa Júnior Corrêa says:

    Adorei querida sobrinha. Eu acho grafite uma arte que não só encanta quanto nos deixa extasiado com a vibrante coloração e expressão.

    1. Ai Barão, acho que o bom gosto por arte é de família não é? O engraçado que esse tipo de arte não é muito comum em cidades do interior, mas sim em metrópoles e capitais. Uma pena, porque eu prefiro ver o colorido do grafite que o cinza do concreto.

  2. Nayara Bavuso says:

    Eu amo grafite, da muita vida para as ruas ♥

    1. Exatamente Nayara!
      Vida através das cores, vida através de desenhos que acabam virando personagens no cotidiano. Deveriam ser considerados patrimônios das cidades s2

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